CONCURSO AO NORTE

ALINHA ALCANÇA O Prémio PrimeirOlhar, no seguimento dos IX ENCONTROS DE VIANA

"Mais do que qualquer prémio, gostaria de agradecer o voto de confiança que o júri teve em destacar o primeiro documentário por mim realizado. É para mim uma honra fazer parte de um pedaço da história de uma iniciativa tão importante do panorama nacional e da bela cidade de Viana do Castelo. Continuarei a fazer o que gosto: cinema. Motivação, trabalho e empenho não me faltam, numa altura em que tudo se parece "abrir" e "desconstruir". Desde uma bela conversa num sábado à tarde, ao contacto com experiências diferentes e ao descobrir de mundos e cinematografias novas, tudo se vai apresentando. Contudo, a escolha é só uma: criar e acima de tudo encontrar nas novas obras que irei criar a: simplicidade inteligente e a reflexão audiovisual que ambiciono. Sei o que quero, ou pelo menos sei o que não quero! Sei por onde não devo ir. E já tenho uma ideia, pequena e muito vaga, daquilo que me satisfaz ao criar-

Alinha é o início. Certas coisas já não faria. Mas já está! É CINEMA! E, agrada-me sentir a mudança no meu próprio olhar que é um ponto de vista. É FASCINANTE e, sinceramente, ALUCINANTE ver o olhar a mudar. QUEM DISSE QUE O CORPO é sempre o mesmo? TANGAS. A MINHA RETINA TE-SE MODIFICADO. Dou por mim a bater com um pé num estúdio e a gritar que nem um louco. Que foi isto? Daqui em diante serei eu e farei para onde os cones e os bastonetes me levarem. Irei procurar. Não quero esquecer. Começo também a ficar farto dos paradigmas e das regras... mas quero conhecê-las ao ponto de poder estar com elas e dizer: tu não prestas por isto, isto e isto. Odeio-te e estragas-me. Mas vou conhecer-te em breve, ou já tenho estado a conhecer-te.

Agradeço ainda aos intervenientes do documentário pois eles são a VIDA e A HISTÓRIA: a história da vida. A todos os que me rodeiam, no meu ambiente próximo, um obrigado por me aturarem. Sou mau quando quero. Sou mesmo. Não quero estragar ninguém com estes movimentos e spins paralelos de electrões. OBRIGADO!

Além de agradecer, porque agradecer é coisa pouca e impossível, gostava de destacar a tamanha grandeza e generosidade, de uma professora que tudo tem feito por mim e que com a sua força natural e quase ciclónica, me tem ajudado a progredir. É o exemplo. É a máxima. Entre conselhos e aulas comprova que a educação não está assim tão decadente... ou que deveria ter mais destes exemplos. Obrigado. É, verdadeiramente, a minha MESTRE. Já estava na hora deste reconhecimento e da constatação deste facto. Os outros que me perdoem.

Não quero esquecer ninguém e agradeço a toda a comunidade escolar e também a compreensão e forte apoio dos professores. Porque os que são: são sempre.

Daqui para a frente... e repito de novo esta perspectiva de futuro, a vontade é CRIAR.



E sabem o que mais me odeia: é que muitos leiam este discurso como mais uma cosia de puto que está com a necessidade de deitar tudo cá para fora. Mas a sério nestes últimos tempos tenho andado com esta vontade. Nunca gostei nada destes jogos de adolescentes que metem "reticências" e fazem tratamentos de texto como os grandes SURREALISTAS PORTUGUESES. Mas tu, que pensas que és mais inteligente, perguntas
agora a ti mesmo: "então porque escreveste?". Olha só sei que pensei mais nisso do que tu! Não tentes ser assim. Já estás a queres passar as marcas. MOMENTO ENGRAÇADO.

Só que realmente foi assim que saiu. E acho que a partir de hoje não mais me "desmascarei", e será que tenho máscara?. Se a tenho vou encontrá-la. Mas "porra" quero ser cada vez mais SIMPLES e não ter de escrever tanto quando um título diz tudo o que passo agora:

O MEDO ou ALINHA. ALINHA ou O MEDO. O MEDO. ALINHA. O MEDO

ESTOU A ATROFIAR. O MEDO PERSEGUE-ME.
conselho: "em cada momento, sentir tudo de todas as maneiras!" não é original mas melhor: "arte-prostituição. amor-traição, berro-silêncio, parado-mexido, quieto-albino. preto-irmão, pássaro-caspa, neve-jáfui: vive os contrastes e sê livre". Dou por mim a pensar que sou velho e a tentar dizer que sou jovem, sou o quê afinal? RECUSO-ME A REVER O QUE ESCREVI!

desculpem-me.

Menção Honrosa

ALinha recebe Menção Honrosa na IV Edição do Festival de Cinema e Multimédia - 100 CENAS.

ICA

http://www.ica-ip.pt/detalhe.aspx?newsid=452

No site do ICA é possível comprovar o 3º prémio atribuído ao documentário Alinha, no 8º Concurso de Vídeo do Barreiro.

Artigo Público

"Lembras-te daquele gordinho que cheirava mal?"

30.03.2009



O recreio da Escola Secundária João de Barros, em Corroios, está animado. Enquanto um grupo de miúdos atira a bola de futebol para fora das grades da escola e acerta em cheio no vidro de um carro que vai a passar, Teresa e Carina, ambas de 14 anos, espreitam curiosas para o auditório onde se anuncia um documentário sobre bullying. Sabem o que é? Claro que sim. "Lembras-te daquele que era da nossa turma, aquele gordo, baixinho, como é que ele se chamava? Aquele com que toda a gente gozava, lembras-te? Que também cheirava mal... Esse era vítima de bullying."

Teresa e Carina acabam de fazer, sem saber, uma boa introdução ao documentário de Manuel Guerra, um estudante do ensino secundário, de 18 anos. Guerra filmou os depoimentos de cinco jovens vítimas de bullying.

Um chama-se Diogo. Um dia, os colegas colaram-lhe nas costas um penso higiénico. Andou com ele, sem saber, durante o intervalo todo. Toda a gente no recreio ria e gozava. É apenas um episódio. Mas para Diogo foi um entre tantos com os quais nunca aprendeu a lidar. E ainda hoje, com 17 anos, não consegue estar na escola "como as outras pessoas". Já para Francisco, 18 anos, o pesadelo começava no final do dia. O caminho da escola para casa demorava cerca de meia hora e todos os dias acontecia o mesmo: um grupo de rapazes fazia-lhe uma espera, perseguia-o, ameaçava-o. Há também as histórias de Catarina, que ainda hoje tem de lidar com o que alguém fez com as suas fotografias na Internet ("Dizem coisas sobre ela, na Net, que não são verdade", explica Guerra), de Tiago e de Mário. São cinco alunos do secundário, colegas de Manuel, que, no documentário, contam as agressões verbais e físicas de que foram alvo, quando andavam no 7.º e 8.º anos.

Manuel Guerra, estudante da Escola Secundária Artística António Arroio, em Lisboa, apresentou o documentário há apenas algumas semanas e ficou surpreendido com o impacto que o seu trabalho teve. Tem recebido vários convites para ir a escolas apresentar o vídeo e falar do problema. Nunca foi vítima de bullying (enfim, passou um "mês mau", no 8.º ano, quando o elegeram alvo de todas as piadas, mas passou). Contudo, interessou-se pelo tema quando foi sabendo o que alguns colegas tinham vivido.

O PÚBLICO acompanhou uma dessas visitas: na Secundária João de Barros, Guerra tem mais de 60 miúdos do 7.º ano à frente. Parecem inquietos antes de o filme começar, mas depois faz-se silêncio. "Algum deles enlouqueceu com o bullying, ou coisa assim?", pergunta um, no final, com um ar muito sério.


Manuel Guerra pergunta-lhes se alguma vez estiveram envolvidos numa situação parecida. Há quem levante o dedo no ar, mas poucos. Têm vergonha, comenta um professor. Se não tivessem, havia muito mais dedos no ar. Depois, Guerra explica-lhes que devem pedir ajuda aos pais, aos professores, a um adulto em quem confiem. Diz que mais do que concorrer a festivais para apresentar o seu documentário, quer contribuir para que ninguém passe o que os amigos filmados em vídeo passaram. A.S."

Público

Sai, hoje, artigo na edição do Público de 30 de Março.

ALINHA OBTÉM 3º PRÉMIO EM CONCURSO DO BARREIRO

"O Gabinete da Juventude da Câmara Municipal do Barreiro, o ICA e o Cine Clube do Barreiro, felicitam todos os concorrentes pelos trabalhos desenvolvidos.

A VIII edição do Concurso de Vídeo do Barreiro 2009 contou com 51 vídeos e os vencedores são:

1º Lugar " Yulunga" de Cristiano Mourato | 250E
2º Lugar "Obtuso" de André English, david Doutez e Vasco Sá | 175 E
3º Lugar " A Linha" de Manuel Guerra| 100E

Os filmes seleccionados para a mostra a decorrer no dia 26 de Março, pelas 21h, no Auditório Augusto Cabrita são:

- "Draft" de José Luis Freitas
- "If it works for Zippo, it can work for you" de Paulo Pinto
- "...H2...Só" de Nicola Dias
- " Últimos Dias" de Vasco Rosa
- " Harmonia" de Ricardo Cruz
- "Não há motivo para te importunar a meio da noite" de Daniela Batista

O Gabinete da Juventude agradece pelo apoio pela disponibilidade e pelo profissionalismo à Drª Mariana Pimentel do ICA e ao Miguel Talhinhas do Cine Clube do Barreiro."

Nota de Intenções

"Na vida existem várias experiências pelas quais passamos. Há quem diga que recordaremos com mais afectividade e rigor aquelas por que passámos na infância e na juventude. No entanto, a lembrança pode ser sinónimo de alegrias ou desgostos. São muitos os jovens que actualmente não se sentem bem consigo mesmo. Muitos não conseguem explicar o que sentem. Muitos desejam nem sequer pensar na escola que os atormenta. Esta é a história de muitas vidas de estudantes portugueses.

O bullying, acto de violência física ou psicológica, praticado de forma intencional e continuada, é um dos problemas que mais afecta as escolas nacionais. O presente documentário pretende acompanhar vários jovens do ensino secundário e ex-vítimas de bullying, que aceitam revelar o seu dia-a-dia, que de vez em quando é atormentado pelas recordações de um passado muito próximo. As perseguições e agressões físicas ou verbais do passado continuam presentes nas suas vidas.

Várias consequências reflectem-se no quotidiano. Uns conseguem ultrapassar pacificamente as recordações e outros, simplesmente, deixam de se socializar e isolaram-se em “escapes”. Em todas as situações serão apresentadas as atitudes actuais. Mais do que tratar o passado, pretende-se mostrar as sequelas do presente. Como agem, o que fazem, com quem se dão e como vivem em casa, na rua e na escola, e sobretudo o que sentem. Uma realidade que pode até levar ao suicídio. Esta é a estreita e complicada linha de várias vidas.

Muitas histórias serão comuns a outros jovens. Mas o que se pretende, acima de tudo, é mostrar, através de exemplos e consequências, quem sofre ou sofreu de bullying. Por outro lado, o documentário pretende apresentar soluções tal como a existência de uma linha de apoio à vítima de bullying (ANP), pois só assim se poderão apoiar futuros jovens, vítimas deste problema, mas sem cair em moralismos.

Deixar que as imagens evidenciem o que certamente custará dizer por algumas vítimas será a atitude a ter em conta e que, certamente, valorizará o processo artístico e criativo. Para isso, será escolhido um discurso natural, em que os movimentos desencadeados são puros e naturais, e que, juntamente com a luz e a câmara, contribuirão para a acentuação de uma ambiência de solidão ou de ritmo desenfreado. Utilizar uma linha realista é a tarefa mais importante de todo este documentário, que apesar de contar com alguns momentos fictícios, não deseja participar numa ideia de bases televisivas. Por outro lado, deseja-se integrar todas estas vidas na Sociedade contemporânea e questionar até que ponto estas foram, ou não, fruto de uma mesma sociedade individualista, decadente e frenética, em que o espírito de partilha não é fomentado.

Pretende-se levar o espectador a entrar neste mundo, em que o medo, a depressão, o desespero e o vazio são uma constante, e de modo a que o problema consiga ser travado. Para isso, todos os pormenores evidenciados pelas personagens serão captados, de modo, a que a atmosfera presente seja realista, e não exageradamente dramática. Neste aspecto, o respeito e a responsabilidade serão deveras importantes, para que as próprias personagens se sintam entusiasmadas com esta curta-metragem, de fins educativos/sociais.

Finalmente, é importante entender que a potencialidade e a força persuasiva, que o presente documentário pode ter na divulgação do tema e na confrontação que a sociedade deve necessariamente ter, pode ser usada como arma de uma boa “propaganda” contra este fenómeno, que, infelizmente, já começa a atingir os próprios adultos, no local de trabalho.

A brincadeira não tem graça e leva a linhas desnecessárias."

Cartaz


Sinopse

"Múltiplas histórias convergem para um ponto.

Vários jovens do ensino secundário, Catarina, Diogo, Francisco, Tiago e Mário, cujas vidas balançaram entre o desespero e a ridicularização, apresentam-nos o seu dia-a-dia. Retalhos de situações aparentemente banais, revelam os seus quotidianos. O vestir de uma camisola que suscita uma tensão, um copo que vai vertendo gotas de leite, um passeio solitário no meio de uma Sociedade frenética, um desenho incompreendido e uma espera inquietante, tudo situações que tornam claras as evidências procuradas.

Jovens que procuram uma nova atitude perante a vida. Uns foram incompreendidos e outros agredidos. As razões infelizes foram várias. Mas ambos têm em comum momentos do dia em que, eles próprios, se tornam alvo dos olhares, de “gozos”, de repúdio, da confrontação, de agressão e de várias situações constrangedoras. A raiz desse ódio confuso está-lhes ainda inacessível. Alguns chegaram a pensar que essas situações seriam somente resultado das suas atitudes. Achavam ser o que os outros continuadamente afirmavam.

O presente é o reflexo dessas situações passadas. Alvo de uma nova visão serão as consequências directas que actualmente são visíveis na vida destes jovens. Uma viagem cuidada a universos íntimos na tentativa de descortinar a solução para o emaranhado de todas estas linhas cruzadas. Tudo será revisitado. Um pátio de escola, um refeitório abandonado, uma rua sombria, um campo solitário e um transporte sem destino. Viagem a fantasmas incompreendidos."